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Programa Morte Súbita

 

A morte súbita cardíaca (MSC) devido a parada cardiorrespiratória (PCR) é a principal complicação das doenças cardiovasculares. Estima-se que anualmente 250 a 300 mil pessoas tenham uma PCR no Brasil, tanto intra como extra-hospitalar.

Define-se parada cárdio-respiratória (PCR) como ausência de ventilação espontânea e pulso em grandes artérias, num mesmo inpíduo, ao mesmo tempo.

Em algumas situações, a PCR ocorre sem nenhuma manifestação prévia de doença, devido a alterações estruturais e funcionais do coração, potencialmente reversíveis ou controláveis, que na maioria dos casos leva à morte súbita, interrompendo prematuramente uma vida que poderia ser normal.

O ritmo cardíaco inicial em cerca de 90% dos casos durante uma parada cardíaca súbita é a Fibrilação Ventricular (FV), porém, o ritmo mais documentado durante o início do atendimento é Atividade Elétrica Sem Pulso ou Assistolia, possivelmente pelos atrasos neste início de atendimento.

A ciência médica, ao longo de sua história, vem acumulando conhecimentos na tentativa de evitar esse trágico fim. Hoje já dispomos de medidas plenamente desenvolvidas e de efetividade comprovada no atendimento destas situações emergenciais, que constituem as manobras de REANIMAÇÃO CÁRDIO-RESPIRATÓRIA (RCP). Poucas intervenções na medicina atingem o impacto de salvar vidas como a RCP. A sobrevida dos pacientes submetidos a RCP é cerca de 5 %, variando de o a 56%, dependendo do nível de treinamento da comunidade.

O tratamento mais eficaz para a FV é a desfibrilação imediata. Porém, a desfibrilação é uma intervenção cujo sucesso está limitado pelo tempo. A probabilidade de que a desfibrilação seja bem-sucedida diminui, aproximadamente, de 7 a 10% a cada minuto que é retardada e sem realização de RCP. A educação e o treinamento do público são aspectos cruciais de qualquer esforço para reduzir a morte súbita cardíaca. Como a maioria das mortes súbitas causadas por PCR acontece fora dos hospitais, é evidente que a comunidade deve ser reconhecida como parte fundamental neste processo.

Parte fundamental nesta missão é promover o desenvolvimento da CORRENTE DA SOBREVIVÊNCIA, que inclui desde o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de uma emergência cardiovascular, até o tratamento hospitalar avançado e reabilitação. Em vista disso, a organização mundial ILCOR (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitaçao) que reúne as principais instituições na área de atendimento cardiovascular de emergência, como a American Heart Association (AHA organiza reuniões periódicas na tentativa de agrupar os conhecimentos adquiridos na área de RCP. Como resultado, criou-se uma forma de atendimento padronizado para as vítimas de emergências cardiovasculares, denominadas de Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (SAVC) - (Basic Live Suport - BLS / Advanced Cardiac Life Suport - ACLS).

O Programa de Treinamento Comunitário desenvolvido pela SOCERGS incorpora a educação em prevenção primária (detecção e modificação dos fatores de risco para doenças cardiovasculares) e o reconhecimento dos sinais e sintomas de um evento cardiopulmonar iminente, bem como educação sobre prevenção secundária, isto é, prevenção de infarto do miocárdio e morte em pessoas com doença ateroscleró tica coronariana conhecida.

O SBV consiste na capacitação pessoal para o atendimento básico da parada respiratória e cárdio-respiratória, incluindo treinamento para o uso do desfibrilador externo automático. Também inclui o programa de educação em prevenção primária e secundária. Destina-se a qualquer pessoa interessada e não necessita nenhuma capacitação prévia.

O SAVC abrange o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, tratamento pré-hospitalar da PCR (incluindo RCP e desfibrilação), tratamento hospitalar avançado e reabilitação. É um curso especial para médicos, enfermeiros e acadê- micos de medicina.

A pulgação da forma de atendimento do SBV e SAVC vem sendo realizada no Brasil, ao longo dos anos, de forma padronizada, através de cursos desenvolvidos pela AHA e Centros Credenciados por esta instituição.

A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul vem, por meio do seu Projeto Comunitário de Prevenção da Morte Súbita e pela sua vinculação à Sociedade Brasileira de Cardiologia, assumir o compromisso de contribuir decisivamente na tarefa de organizar em nosso Estado a Cadeia Gaúcha da Sobrevivência, dentro dos padrões tecnicos exigidos internacionalmente.


Coordenação

Dr. Marcelo Rava de Campos
Diretor do Programa Morte Súbita