Evento sobre aterosclerose destaca avanços na prevenção e reforça o papel do cardiologista diante das mudanças no perfil das doenças cardiovasculares

20/04/2026

Estilo de vida e novas terapias marcaram encontro científico da SOCERGS 

A prevenção das doenças cardiovasculares, os avanços no tratamento e a necessidade de uma atuação cada vez mais integrada marcaram o Encontro Anual de Aterosclerose da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), realizado no sábado, 18 de abril, no Hotel Deville Prime Porto Alegre. Promovido pelo Departamento de Aterosclerose da entidade, o evento reuniu cardiologistas, profissionais da saúde, pesquisadores e especialistas para discutir desde o diagnóstico precoce até novas abordagens terapêuticas em uma das principais causas de morte no mundo.

Ao longo da programação, estruturada em mesas de debate, foram abordados temas centrais da prática clínica, como prevenção da aterosclerose, hábitos de vida, terapias hormonais, estratégias para controle do colesterol e o impacto do cardiometabolismo nas doenças do coração.

Para o médico cardiologista e presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), Dr. Paulo Behr, o encontro cumpriu o papel de aproximar conhecimento e prática.

“A aterosclerose é responsável por cerca de 80% das doenças cardiovasculares, e o foco hoje precisa estar na prevenção. Não se trata apenas de diagnosticar no momento mais adequado, mas de evitar que ela se desenvolva”, destacou.

O especialista também chamou atenção para a mudança no perfil das doenças cardiovasculares.

“Vivemos uma transição epidemiológica, em que obesidade e diabetes assumem papel central no desenvolvimento dessas doenças. Por isso, trouxemos uma abordagem multidisciplinar, incluindo especialistas em endocrinologia, além de revisarmos os principais estudos e avanços recentes da cardiologia”, completou.

Para o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), Dr. André Luís Câmara Galvão, o encontro reforça a importância do conhecimento qualificado em um cenário de excesso de informações.

“Vivemos um momento em que a medicina digital cresce rapidamente, muitas vezes de forma superficial. Encontros como este reforçam a importância do trabalho sério, ético e com rigor científico, além da responsabilidade na divulgação do conhecimento”, afirmou.

Legado que inspira a cardiologia

Durante o encontro, houve também um momento de reconhecimento à trajetória do médico cardiologista Dr. Oscar Pereira Dutra, cuja contribuição para a cardiologia brasileira segue presente na formação de profissionais e no desenvolvimento científico da área.

Para o médico cardiologista e vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), Dr. Iran Castro, o legado vai além da carreira institucional.

“Ele construiu uma formação muito sólida em cardiologia e alcançou o mais alto nível dentro das instituições. Foi diretor científico, teve papel de destaque nas principais entidades médicas e deixou sua marca na SOCERGS, na Sociedade Brasileira de Cardiologia e também no nosso Departamento de Aterosclerose. Mais do que os cargos, ele soube fazer amigos, conquistar as pessoas com uma alegria genuína, algo raro e marcante. Partiu cedo, mas deixa uma história que inspira”, afirmou.

Programação científica

No primeiro painel, os especialistas discutiram como prevenir a obstrução das artérias, destacando a importância de identificar precocemente pacientes de maior risco. Também abordaram o reconhecimento de placas de gordura mais perigosas e o momento adequado para iniciar tratamentos, além do alerta para atrasos no controle da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para infarto.

“A hipertensão arterial segue como uma das principais causas de morbidade e mortalidade cardiovascular no mundo. Para mudar esse cenário, é fundamental investir em educação do paciente, monitoramento regular, uso de lembretes e simplificação dos esquemas terapêuticos. A terapia combinada tem se mostrado mais eficaz para aumentar a adesão e melhorar o controle da doença, podendo ser iniciada já no estágio 1”, salientou o médico cardiologista Dr. João Gemelli.

O painel foi coordenado pelos médicos cardiologistas Dr. Ricardo De Gasperi e Dr. Mário Wiehe, com participação dos médicos Dra. Denise Pellegrini, Dr. Fábio Alban e Dr. João Gemelli.

Na sequência, o foco se voltou aos hábitos de vida e sua relação direta com o coração. Alimentação, sedentarismo e terapias hormonais foram discutidos sob diferentes perspectivas, evidenciando a necessidade de individualização no cuidado.

“A alimentação tem papel direto no processo inflamatório do organismo, podendo atuar tanto como fator de risco quanto como proteção. Dietas com maior potencial inflamatório costumam incluir consumo elevado de carnes vermelhas, carnes processadas, vísceras, carboidratos refinados e bebidas açucaradas, padrões associados ao aumento do risco cardiovascular”, salientou o médico Dr. Emílio Moriguchi.

O painel foi coordenado pela médica cardiologista Dra. Cátia Severo e pelo médico cardiologista Dr. Iran Castro, com palestras dos médicos Dr. Emílio Moriguchi, Dr. Ricardo Stein, Dr. Roberto Mayer e Dr. Fábio Camazzola.

O avanço das terapias também ganhou protagonismo, especialmente no manejo das dislipidemias. Estratégias combinadas para redução do LDL-C, abordagens para pacientes intolerantes às estatinas e a condução de casos complexos foram discutidas com base nas diretrizes mais recentes.

A lipoproteína(a), considerada um fator de risco emergente, foi destaque como marcador importante para refinar o risco cardiovascular. A recomendação atual aponta que o exame deve ser realizado ao menos uma vez na vida, por se tratar de um fator genético, com pouca variação ao longo do tempo.

“Esse marcador muda a forma como o paciente é encarado. Na prática, você passa a identificar um agravante de risco que não aparece nos cálculos tradicionais. Ou seja, esse paciente pode ter um risco mais alto do que o estimado inicialmente e, por isso, passa a demandar metas mais agressivas e um tratamento mais intensivo, especialmente no controle do colesterol”, explicou o médico cardiologista Dr. Márcio Miname.

Também participaram do painel o médico Dr. Raphael Boesche; a médica cardiologista Dra. Débora Hoffmann Loro, que apresentou alternativas para redução do LDL-C em pacientes intolerantes às estatinas; e o médico cardiologista Dr. Paulo Behr, com reflexões sobre dislipidemias raras.

No período da tarde, o foco se ampliou para o cardiometabolismo e a inflamação, refletindo a mudança no perfil das doenças cardiovasculares. Temas como obesidade, adiposidade e biomarcadores inflamatórios trouxeram novas perspectivas para a tomada de decisão, além de discussões sobre o potencial impacto de vacinas na redução do risco cardiovascular.

O painel foi coordenado pela médica cardiologista Dra. Carolina Leães e pelo médico cardiologista Dr. André Luís Câmara Galvão, com palestras dos médicos Dra. Sabrina Fernandes, Dr. Justo Leivas, Dr. Marcello Bertoluci e Dr. Guilherme Velho.

Na sequência, os participantes acompanharam atualizações de congressos internacionais, com estudos recentes que contribuem para qualificar o cuidado cardiovascular. O painel foi coordenado pelos médicos cardiologistas Dr. Ricardo Holthausen e Dr. Paulo Leães, com apresentações dos médicos cardiologistas Dr. André Zimerman, Dr. Luiz Bodanese e Dr. Euler Manenti.

A sessão de encerramento foi coordenada pelos médicos cardiologistas Dr. Salvador Ramos e Dr. Jorge Guimarães, com destaque para a participação do médico cardiologista Dr. Pedro Pimentel, que apresentou uma síntese dos principais aprendizados do encontro, com foco na aplicação prática na rotina clínica.

Redação: Marcelo Matusiak

 

Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS)

A SOCERGS é uma entidade dedicada à promoção da prevenção de doenças cardíacas, visando aprimorar a qualidade de vida dos gaúchos. Seu compromisso é conscientizar o público sobre a importância do cuidado com a saúde do coração. Destaca-se por sua transparência e clareza em todas as suas atividades com participação ativa de seus sócios e líderes, que contribuem para seu contínuo aprimoramento e evolução ao longo das gestões.

 

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