Sociedade Gaúcha de Infectologia, Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul e Associação Médica do Rio Grande do Sul destacam evidências do REPRIEVE, reforçam a prevenção cardiovascular e recomendam tratamento individualizado
Os resultados do estudo internacional REPRIEVE, que demonstraram redução de 36% na incidência de eventos cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV com o uso diário de pitavastatina, foram incorporados às diretrizes clínicas de 2026 da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC). A atualização reforça a importância da prevenção cardiovascular nessa parcela da população e motivou manifestação conjunta da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) e da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) para orientar profissionais da saúde, serviços assistenciais e pessoas vivendo com HIV sobre o tema.
Para o estudo foram considerados aqueles em tratamento antirretroviral e sem indicação clássica prévia de estatina por alto risco cardiovascular. Os achados chamaram a atenção da comunidade médica internacional por apontarem benefício preventivo em um grupo que, em muitos casos, não seria enquadrado nas recomendações tradicionais para o uso desse tipo de medicamento. Em março de 2026, a AHA e o ACC passaram a incluir recomendações específicas para o uso de estatinas nesse perfil de paciente, consolidando o impacto do estudo nas práticas clínicas internacionais.
No contexto do HIV, o risco de doença cardiovascular — e de outras condições associadas ao envelhecimento — é maior e tende a surgir em idades mais precoces do que na população sem o vírus. Essa probabilidade pode estar relacionada a múltiplos fatores, incluindo inflamação crônica, alterações metabólicas, tabagismo, hipertensão, diabetes, alterações lipídicas, histórico familiar, uso de determinados antirretrovirais e tempo de exposição à infecção. Por isso, a prevenção cardiovascular deve fazer parte do acompanhamento clínico regular desses pacientes.
Estatinas a partir dos 40 anos e o rastreamento do HIV na avaliação cardiológica
Com base nas evidências do REPRIEVE, a atualização de março de 2026 das diretrizes da ACC/AHA passou a recomendar a terapia hipolipemiante para a prevenção primária de doença cardiovascular em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) na faixa de 40 a 75 anos, independentemente dos níveis de LDL-colesterol — colocando o HIV ao lado do diabetes e da doença renal crônica como condição que, por si só, justifica considerar o uso de estatina a partir dos 40 anos.
A SGI, a SOCERGS e a AMRIGS destacam que os resultados do estudo e sua incorporação às diretrizes internacionais reforçam tanto a importância de uma avaliação médica dessa população, quanto a necessidade de uso de estatina, considerando idade, perfil cardiovascular, exames laboratoriais, histórico clínico, antirretrovirais em uso, risco de interações medicamentosas, possíveis efeitos adversos e necessidade de seguimento periódico. A escolha do medicamento e da dose deve ser definida de forma individualizada, considerando o perfil de cada paciente e as eventuais interações com a terapia antirretroviral.
As sociedades destacam, ainda, a importância de se considerar o rastreamento do HIV na avaliação cardiológica. Reconhecido há anos como fator agravante de risco cardiovascular e agora incorporado diretamente à decisão sobre o uso de estatinas, o HIV torna o conhecimento do status sorológico parte de uma estratificação de risco adequada. Oferecer o teste de HIV regularmente nesse contexto, associados aos exames de perfil metabólico, amplia o diagnóstico oportuno e assegura que pessoas vivendo com HIV recebam, desde cedo, as medidas de prevenção cardiovascular recomendadas.
Para mais informações, a orientação é procurar acompanhamento com médico infectologista, cardiologista ou serviço de saúde de referência. As recomendações devem sempre ser aplicadas de forma individualizada, conforme a realidade clínica de cada paciente.
A avaliação integrada entre infectologia e cardiologia é especialmente importante em casos de maior complexidade clínica, presença de múltiplos fatores de risco, histórico de eventos cardiovasculares, alterações metabólicas relevantes ou dúvidas sobre interações entre medicamentos. O acompanhamento compartilhado permite definir a melhor estratégia preventiva, com segurança e benefício real para cada paciente.
As sociedades também reforçam que a prevenção cardiovascular não se resume ao uso de medicamentos. Medidas como controle da pressão arterial, manejo adequado do colesterol e da glicemia, cessação do tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, adesão ao tratamento antirretroviral e acompanhamento médico contínuo seguem sendo fundamentais.
O avanço do tratamento antirretroviral aumentou de forma significativa a expectativa das pessoas em tratamento. Nesse novo cenário, prevenir doenças cardiovasculares tornou-se parte essencial da atenção em saúde.
Presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia
Dr. Dimas Alexandre Kliemann
Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul
Dr. André Luís Câmara Galvão
Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS)
A SOCERGS é uma entidade dedicada à promoção da prevenção de doenças cardíacas, visando aprimorar a qualidade de vida dos gaúchos. Seu compromisso é conscientizar o público sobre a importância do cuidado com a saúde do coração. Destaca-se por sua transparência e clareza em todas as suas atividades com participação ativa de seus sócios e líderes, que contribuem para seu contínuo aprimoramento e evolução ao longo das gestões.
