Segundo dia reuniu discussões sobre novas tecnologias, obesidade, colesterol e tratamentos para doenças do coração
A inteligência artificial já ajuda a identificar arritmias? É preciso deixar de comer carne para controlar o colesterol? Essas questões estiveram entre os debates do segundo dia do Congresso SOCERGS 2026, realizado nesta sexta-feira, 25 de setembro, no Wish Serrano Hotel & Centro de Convenções, em Gramado. Promovido pela Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), o encontro também abordou miocardite, insuficiência cardíaca, obesidade e a prevenção de doenças cardiovasculares.
Diagnóstico e tratamento
Na programação sobre miocardiopatias, a cardiologista Dra. Marciane Maria Rover abordou as diferentes formas de apresentação da miocardite. “A doença pode passar despercebida ou causar dor no peito, arritmias e insuficiência cardíaca. Os casos leves geralmente têm recuperação completa, mas os mais graves podem deixar sequelas e até levar à morte súbita”, explicou.
O cardiologista Dr. Andres Di Leoni Ferrari discutiu tratamentos para pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida. “A ressincronização biventricular continua sendo a opção com evidências mais sólidas. A estimulação do sistema de condução pode ser considerada para pacientes selecionados, sobretudo quando não é possível posicionar adequadamente o eletrodo no ventrículo esquerdo”, afirmou.
No Fórum do Departamento de Aterosclerose da SOCERGS (DA/SOCERGS), o cardiologista Dr. André Zimmermann abordou o tratamento dos triglicerídeos elevados. “A prioridade é manter uma alimentação saudável, mudar hábitos e usar estatinas quando indicadas. Novas terapias ainda precisam comprovar que, além de reduzir os triglicerídeos, conseguem prevenir infartos e outros eventos cardiovasculares”, explicou.
Também no fórum, o cardiologista Dr. Paulo Schvartzman destacou o papel dos exames de imagem na identificação de doenças ainda sem sintomas. “Encontrar sinais da doença ajuda a avaliar melhor o risco cardiovascular, especialmente nos pacientes mais jovens. Quando não há sinais, o resultado também pode ajudar a rever essa estimativa, mas sua interpretação exige mais cuidado entre os idosos”, observou.
Alimentação, obesidade e tecnologia
As doenças do coração, dos rins e do metabolismo estiveram entre os temas do Departamento de Cardiogeriatria da SOCERGS (DECAGE/SOCERGS). O cardiologista Dr. Fábio Camazzola chamou a atenção para a necessidade de avaliar essas condições em conjunto. “É comum atendermos idosos com insuficiência cardíaca, arritmias, diabetes e alterações renais. Essas doenças estão ligadas e precisam ser consideradas em conjunto na avaliação e no tratamento”, explicou.
Na discussão sobre obesidade, o coordenador do Centro de Dislipidemias da Santa Casa de Porto Alegre e presidente do Departamento de Aterosclerose da SOCERGS, Dr. Paulo Behr, destacou os limites do Índice de Massa Corporal (IMC). “Duas pessoas com o mesmo peso e IMC podem apresentar riscos cardiovasculares diferentes. Por isso, também precisamos avaliar a gordura abdominal. No estudo SELECT, a semaglutida reduziu em 20% o risco relativo de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal, considerados em conjunto, entre pessoas com sobrepeso ou obesidade, doença cardiovascular estabelecida e sem diabetes”, afirmou o Dr. Paulo Behr.
Carne, ovos e manteiga já foram alvo de restrições mais amplas nas orientações sobre colesterol, lembrou o Dr. Hiran Castro. “Hoje, avaliamos a alimentação como um todo. Não se trata de proibir indistintamente um alimento, mas de reduzir o consumo de gorduras saturadas e priorizar frutas, vegetais, grãos integrais e fontes saudáveis de gordura e proteína”, relatou.
O cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães abordou o uso de dispositivos vestíveis e da inteligência artificial na cardiologia. “Hoje, o paciente pode chegar à consulta com um registro do ritmo cardíaco feito pelo relógio durante um episódio de palpitação. Esse dado ajuda na investigação, mas precisa ser avaliado pelo médico. Já a inteligência artificial pode auxiliar na identificação precoce de doenças e na análise das artérias coronárias, contribuindo para decisões de tratamento mais individualizadas”, explicou.
Conexão PRECON/SOBRAC
A Conexão entre o Programa de Educação Continuada (PrECon) da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e a SOCERGS despertou grande interesse ao discutir condutas para casos clínicos do dia a dia. Em uma sessão interativa, os participantes analisaram as situações apresentadas e compartilharam suas decisões com os especialistas. A atividade foi coordenada pelos cardiologistas Dr. Cristiano Faria Pisani e Dr. Eduardo Bartholomay Oliveira
Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia (GECO)
O Fórum do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia (GECO) também integrou a programação do Congresso SOCERGS 2026, com debates sobre os cuidados cardiovasculares em pacientes com câncer. Moderado pelo presidente da SOCERGS, Dr. André Luís Câmara Galvão, e pelo Dr. Euler Roberto Fernandes Manenti, o encontro abordou os avanços no tratamento da amiloidose, apresentados pelo diretor Administrativo da SOCERGS, Dr. Eduardo Schlabendorff; a utilização de ferramentas para avaliar o risco cardiovascular em pacientes oncológicos, com a Dra. Vanessa Santos dos Santos; e as possíveis complicações cardiovasculares dos tratamentos de tumores de próstata, pulmão e mama, discutidas pelo Dr. Felipe Paulitsch. A programação incluiu ainda a apresentação de um caso clínico pela Dra. Alana Quadros e uma discussão entre os participantes.
A programação de sexta-feira incluiu ainda debates sobre arritmias, cardiopatias congênitas, hipertensão e cardiometabolismo, além de cursos, discussão de casos, apresentação de pôsteres e visitação à exposição paralela.
O congresso termina neste sábado, 26 de setembro, com um simpósio de cardiometabolismo, debates multidisciplinares e uma atualização sobre diretrizes de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, infarto, valvopatias e prevenção cardiovascular. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site https://www.socergs.org.
Redação: Marcelo Matusiak






