Artigo de opinião: Dr. André Luís Câmara Galvão - Presidente da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul (SOCERGS)
O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, é uma oportunidade de lembrar algo que a medicina repete há décadas, mas que ainda precisa ser transformado em hábito: grande parte das doenças cardiovasculares pode ser prevenida. O desafio é agir antes que os fatores de risco se transformem em doença.
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 19,8 milhões de pessoas morreram por essas condições em 2022. Infarto e acidente vascular cerebral respondem pela maior parte desses óbitos.
Um estudo apresentado recentemente no Congresso Europeu de Cardiologia (ESC 2026) reforça por que a prevenção precisa começar cedo. O REACT, publicado no New England Journal of Medicine, avaliou 16.808 pessoas entre 18 e 70 anos sem doença cardiovascular aterosclerótica conhecida. Mesmo entre 18 e 29 anos, placas de aterosclerose foram identificadas em 8,7% dos homens e 6,7% das mulheres.
O dado mostra que a aterosclerose pode começar décadas antes do infarto, do AVC ou do aparecimento de sintomas. O estudo também mostrou que os escores tradicionais de risco identificavam como de alto risco apenas uma parcela das pessoas que já apresentavam aterosclerose nos exames, especialmente entre os mais jovens. Isso não significa, porém, que todos devam realizar exames de imagem. O REACT ainda não demonstrou que rastrear toda a população e tratar com base nesses achados reduz eventos cardiovasculares. Essa é uma questão que continuará sendo investigada.
Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada se acumulam ao longo dos anos. Por isso, cuidar do coração não começa quando surge dor no peito. Conhecer a pressão arterial, acompanhar colesterol e glicemia, praticar atividade física, não fumar, cuidar do peso, dormir bem e manter alimentação equilibrada podem mudar trajetórias.
O cardiologista também tem papel antes da doença. Avaliar o risco individual, o histórico familiar e os hábitos de vida ajuda a definir quando exames ou tratamentos são necessários.
Neste Dia Mundial do Coração, a mensagem é simples: não espere um sintoma para começar a cuidar de si. A prevenção precisa fazer parte da rotina.
Dr. André Luís Câmara Galvão
Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS)
