SOCERGS destaca que exercícios podem ser mantidos com segurança quando intensidade, modalidade e acompanhamento são definidos conforme cada caso
Receber o diagnóstico de uma doença cardíaca não significa, necessariamente, abandonar a prática esportiva. Em muitos casos, manter-se fisicamente ativo pode contribuir para o controle da doença, a recuperação cardiovascular e a qualidade de vida. A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) destaca, porém, que pessoas com hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca, doença coronariana, miocardiopatias ou outras condições cardiovasculares precisam de avaliação individualizada antes de iniciar, retomar ou intensificar os exercícios.
O médico cardiologista Rodrigo Bodanese, coordenador do Laboratório de Fisiologia do Exercício do Centro do Movimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), preceptor da Residência em Cardiologia do Hospital São Lucas da PUCRS e coordenador do serviço de Ergoespirometria e de Reabilitação cardíaca da Santa Casa, explica que a definição sobre a prática esportiva depende das características da doença e do exercício pretendido.
“Um paciente que já tem alguma cardiopatia conhecida, seja doença coronariana, uma doença cardíaca estrutural ou uma miocardiopatia, precisa passar por uma avaliação individualizada para que possamos entender a dimensão do risco relacionado ao exercício que pretende realizar, seja corrida, CrossFit ou qualquer outra atividade”, explica o médico cardiologista Rodrigo Bodanese.
A avaliação cardiológica permite analisar a condição clínica do paciente e, quando necessário, solicitar exames que auxiliem na definição da modalidade, frequência e intensidade mais adequadas. Dependendo do caso, o especialista pode recomendar ajustes na carga de treinamento, na distância percorrida ou até orientar que determinadas modalidades sejam evitadas.
“Precisamos individualizar bem o risco, entender a doença e, por meio de uma avaliação bem conduzida, definir se o paciente pode praticar aquela atividade. Quando necessário, podemos limitar a intensidade ou evitar algum tipo de esporte que não seja indicado para determinada patologia”, afirma Bodanese.
Segundo o especialista, a abordagem atual procura evitar restrições generalizadas e priorizar decisões personalizadas, sempre que as condições clínicas permitirem.
“A ideia não é simplesmente proibir, como se fazia antigamente. Hoje, estamos muito mais voltados a permitir que esses pacientes continuem ativos, eventualmente com alguma restrição de intensidade, distância ou tipo de exercício. Na enorme maioria dos casos, com exceção de algumas doenças específicas, como a miocardiopatia arritmogênica, o sedentarismo pode representar um risco importante. Por isso, buscamos liberar a prática respeitando as particularidades de cada paciente”, destaca.
A reabilitação cardiovascular também pode ter papel importante nesse processo. Programas acompanhados por profissionais permitem que o paciente retome ou desenvolva atividades físicas de maneira progressiva e segura, com controle da intensidade do esforço e acompanhamento da resposta cardiovascular.
Durante o exercício, sinais como dor no peito, tontura, desmaio, palpitações importantes ou falta de ar desproporcional ao esforço exigem atenção. Nessas situações, a atividade deve ser interrompida e a pessoa deve procurar avaliação médica.
O acompanhamento não deve ocorrer apenas no momento da liberação para a prática esportiva. “Pacientes que já possuem alguma doença cardíaca conhecida precisam manter acompanhamento ao longo do tempo. Isso permite avaliar possíveis mudanças ou a progressão da doença e adaptar as recomendações de exercício sempre que necessário”, completa Bodanese.
Com avaliação adequada, acompanhamento profissional e respeito às limitações individuais, muitas pessoas com doenças cardiovasculares podem continuar praticando atividades físicas e usufruindo dos benefícios do exercício para a saúde.
Em casos de suspeita de doença ou algum risco cardiovascular, procure um médico cardiologista. Outras informações podem ser obtidas no site da SOCERGS: www.socergs.org.br.
Redação: Marcelo Matusiak
