Reportagem publicada no caderno +Saúde, de Zero Hora, na edição de 10 e 11 de outubro de 2026, contou com a participação do cardiologista Dr. Fábio Eduardo Camazzola e abordou os cuidados necessários após um infarto.
Superar um infarto é apenas o começo de uma nova etapa de cuidados com o coração. Mas o que muda na rotina? Quais hábitos precisam ser revistos? E como reduzir o risco de um novo evento cardiovascular?
Essas questões foram abordadas em uma reportagem especial do caderno +Saúde, de Zero Hora, que contou com a participação do cardiologista Dr. Fábio Eduardo Camazzola, trazendo orientações importantes sobre a recuperação e a prevenção.
O conteúdo destaca que o infarto não deve ser encarado como um episódio isolado. O controle da pressão arterial, do colesterol e da glicose, a prática de atividades físicas orientadas, o uso correto das medicações e o acompanhamento médico são fundamentais para proteger a saúde cardiovascular.
Uma das mensagens mais importantes é que a recuperação vai além da alta hospitalar. É um processo que exige atenção contínua, mudanças de hábitos e compromisso com a própria saúde.
A participação do Dr. Fábio Eduardo Camazzola contribui para aproximar o conhecimento médico da população, mostrando como a informação de qualidade pode ajudar a salvar vidas.
A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) reforça a importância do acompanhamento médico regular. Em caso de sintomas ou suspeita de doença cardiovascular, procure um médico cardiologista.
Confira abaixo a reportagem publicada originalmente no caderno +Saúde, de Zero Hora, na edição de 10 e 11 de outubro de 2026.
Doenças cardiovasculares lideram as causas de mortalidade no Brasil e no mundo
Por Fábio Eduardo Camazzola e Darcy Ribeiro Pinto Filho
É fundamental compreender que a aterosclerose é uma doença crônica e sem cura. Mas sua progressão pode ser mitigada pelo controle dos fatores de risco.
As doenças cardiovasculares lideram as causas de mortalidade no Brasil e no mundo, impulsionadas principalmente pela aterosclerose. Essa se caracteriza por ser uma doença crônica na qual placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias, tornando-as mais estreitas e rígidas, podendo prejudicar a circulação sanguínea. Estudo recente apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia avaliou mais de 16 mil pessoas de 18 a 70 anos sem histórico de cardiopatia, revelando que 57% dos participantes apresentavam algum grau de aterosclerose, já aparecendo, inclusive, em idades mais jovens.
Ao longo dos últimos anos, temos nos dedicado ao atendimento de pessoas com problemas cardíacos, e ilustramos com um caso comum na rotina. Um senhor de 57 anos apresentava pressão alta e níveis elevados de colesterol e, à noite, após um dia considerado normal, apresentou uma sensação estranha. Era um desconforto forte bem no meio do peito, juntamente com uma sensação de sufocamento no pescoço, suor frio e náuseas. Sentou-se e aguardou alguns instantes para ver se o mal-estar passava. Lembrou que já ouvira falar que dor no peito poderia ser algo grave e chamou a esposa, que, prontamente, acionou o serviço médico pré-hospitalar. A ambulância chegou e, no atendimento, foi identificado que poderia ser uma situação mais séria, sendo imediatamente transportado para o hospital mais próximo.
No hospital, exames, medicações, alívio parcial do desconforto e a notícia: "O senhor está com um infarto agudo do miocárdio. Apresenta uma provável obstrução em uma artéria do coração e precisa realizar um exame urgente para desobstrução". Mil coisas passando pela cabeça, mas o que importava era fazer o que fosse necessário para aliviar aquela sensação ruim e preservar a vida. Do procedimento, não ficou com muitas lembranças, mas após seu término o desconforto passou. Veio o esclarecimento de que realmente havia uma artéria do coração entupida e que a desobstrução foi realizada com sucesso. Tudo transcorreu bem e dois dias após, recebeu alta hospitalar.
A partir daí, surgem dúvidas e angústias sobre o futuro, sendo muito comuns a preocupação com o amanhã e o medo de um novo infarto. Na fase inicial da recuperação, alguns cuidados são importantes. Respeitar o período de relativo repouso orientado pela equipe de saúde, que varia caso a caso. Tomar as medicações indicadas de forma correta, o que é um fator crítico para o sucesso do tratamento, prevenindo complicações graves. Além disso, realizar as consultas médicas periódicas.
É fundamental compreender que a aterosclerose é uma condição crônica e sem cura. No entanto, sua progressão pode ser mitigada por meio do manejo rigoroso dos fatores de risco: atingir as metas de pressão arterial, colesterol, glicose no sangue e peso. Somando-se a isso, não fumar, adotar uma dieta saudável e realizar atividade física conforme liberação e orientação da equipe de saúde. Graças aos avanços nos tratamentos, ao diagnóstico precoce e ao atendimento rápido e estruturado, é possível manter uma vida ativa e com qualidade. Para isso, o cuidado deve continuar a longo prazo, combinando a mudança de hábitos com o uso correto das medicações.
A prevenção cardiovascular precoce é a chave para transformar o futuro da saúde, pois a aterosclerose é doença silenciosa que começa a se desenvolver muito antes dos primeiros sintomas surgirem. Cuidar do coração deve ser um compromisso diário que precisa iniciar já na juventude. Contudo, para quem já passou dessa fase, o momento de agir é agora: sempre é tempo de mudar hábitos, reverter riscos e proteger o seu futuro.
Fonte: Zero Hora, caderno +Saúde, edição de 10 e 11 de outubro de 2026, página 8.
